domingo, 6 de maio de 2007

Abandonos Aconchegantes.
















Não sei quanto tempo de história queimo, quantos livros finalizados, ou


pior, crepitantes começos, falas, até mesmo vestígios, todos soluções da vontade,


tornada letra, que agora não sei quanto disso tudo, e mesmo uma parte minha corporal,


queima no fogo que acendo entre mim e o feto que vejo no espelho, algo rastejante, algo lamacento, muito já idoso, velhaco que assume a prisão....




...e assim, frustração lidada,




aceita do guia noturno,


um vaso de enguias de pétalas-línguas


luminosas, ao meio-dia,




Relógio, tão pouco vento que alicie esperanças em restos de oxigênio, que o dito cujo fogo, brasa, lava, muco de mim varra tudo, memórias de uma Inquisição saudosa. Me torno tradicionalista no vulgo que, cansado, assumo. Correm lebres e leopardos, muitos temas, fotos, quartos de sexo, colchões sem contas de mar ou búzios ( sorte ? revés ?),




Nada mais quero significar para mim, já que tão múltiplo significo aos outros.


Ao menos a mim, darei descanso, e da cozinha dos sonhos,


mais coisa alguma hei de trazer que incomode...




Palavras caras crepitam sob o ardor da consciência leve.


Como saber?


Se leve é o ar que respiro dentro - e tão somente dentro -


do peito.


Que queimem tantas Romas desnecessárias,


tantos cadáveres épicos ( a que mais se destinariam, essas vítimas tela-pequena ?),


crueldade, se for, não me importo.




E o Acaso, com poder astuto, se bem querer me trará quereres passados reanimados,


até mesmo em outras faces, corpos, entradas e mucosas.


Não prova, com seu irmão e facínora,


o Tempo sobre esse desfalcado terreno ( de presas e preciosidades),


chamado amor ?




Que então queime, qual esquecimento,


que então queime, como bala recém disparada no peito do


anônimo inimigo.




Que a cada dia , um estilo chegue antes do sol,


ou não chegue tão breve,


uma gratuidade adquirida apenas por já não achar graça




Naquilo que sempre


( por demais)


fizeram crer


que


Graça havia.




°




12 comentários:

Mônica disse...

eu amo ler você!
chega me intimidar,
o comentário fica na garganta,
vc é um ser humano intrigante,
já te disse uma vez,
e paro por aqui, rsrs
mais seguro!
grande beijo

Letícia disse...

Você parece que só faz escrever cada dia melhor,rapaz!
Beijãooooo...

guto disse...

Blz Paulo!
Es que surge!!!... é sempre muito bom te ler cara! grande abraço meu amigo!
Guto

Anônimo disse...

Saudades de ti,
seu coiso!
Foge mais não.
beijos.
D.

Cássio Amaral disse...

Pauleira,

tudo pauleira aqui!

Uivos caninos pra você.

Anônimo disse...

Paulo, tudo de bom teu texto! Sempre intrigante, convidando o leitor a mil leituras. Terno abraço!!!
Rebeca

Paulo disse...

Texto de mil significados: poeta em evolução, batalha de criação poética, recriação estética, mudanças pessoais, etc e tais.
Parabéns. Intrigante, profundo, provocante.
Como já disse no orkut, começou bem!

nana disse...

eu sou suspeita pra falar. cof, cof, você sabe que sinto paixão cada vez que leio você. mas dessa vez, meu amigo, senti uma coisa diferente.
é como se você tivesse morrido, e daí voltou num outro homem, reencarnou, mas trazendo ainda o melhor do Paulo Castro com nome de Paulo Castro, rs.
bom demais ter você de volta.
senti falta.
;*

Cibele disse...

É um texto de dar NÓ, mas é assim q eu gosto. Ler várias vezes. Ficar imaginando daonde veio. Pra onde vai. Pq, qdo,como. Ótimo. Nada básico. Vou te ler pra sempre. Beijo!

Ciro M. Costa disse...

Paulão, Paulão... saudades!
Que bom que voltou! Vejo que continua mantendo um pouco do estilo, mas percebi algumas mudanças. O texto está mais leve, mais pacífico, diferente... senti até falta dos palavrões, hehehehe!! Seria isso sinal de alguma mudança sua em particular? Foi a impressão que tive, e gostei muito. Acho que o texto refletiu isso bem.
Seja bem vindo de volta ao nosso mundo!
Grande abraço!

Isabel disse...

Palavras em ebulição...

Lindaure disse...

Só havia uma cortina a tua frente, plebeu agora amanteigado! Estavas aguardando estático, enquanto as palavras ardiam, a glote rompia em muda agonia ...Atenta, eu via, escutava teu respirar bem na primeira fila! A quem enganas vil personagem? Com teus secretos apelos virginais? Se me atrevi a te olhar, a te sentir...rogo que me escutes! Se me atiro arrogante bem meio do teu palco.. tenho minha lei, meu estilo. E arremesso os florins arquétipos da luxúria em tua direção! Lute, expulse a sentença febril sobre a minha cabeça ... Venceremos os dois, quais borboletas depois da metamorfose ?

Te beijo Paulo.
LINN