domingo, 27 de maio de 2007

Boca à fuça Anti-Merlosiana.


Ternurinha padrão típica de acasalamentos e quatro paredes, quando todos te olham e dizem, rapaz isso não é mais idade nem fuça pra escrever sobre a verdade.
Como não tenho uma cidade de praia, já disse algures ( algures, puta palavra legal), sento na beira da privada em chão e fico tocando a descarga. Não se preocupem, já não tenho idade nem treco pra vomitar.
Ligo o som o mais alto possível, respeitando a televisão no quarto ao lado, a piada que acorda todo mundo mas é boa, e minha música é ruim pra dedéu, mas ligo assim mesmo, dizem, que para fazer uma pequena revolução, até as 22:00 pois fiz as pazes com a vizinhança supra sumo sacerdotal.
Como é isso que dizem também: estar com o saco na lua ?
O meu pesa, quem me dera se voasse, se fossem bolas de Dumbo, se alguma emoção balão mágico pudesse dar a exata esperança dos erros ainda que podem ser cometidos numa boa.
Mas nem idade nem fuça, treco, diz mais que o espelho ( riso diabo no corpo ), o cobrador desse busão que é a vida. São vários cobradores, um a cada dia, todos clones de cobradores de clones de dias, tão iguais em si de mim, que quando começo a puxar papo tipo deles, manequins peladinhas de shopping center, me assusto tamanho tamanho enorme tudo desse domingo que parece eterno e o busão faz uma curva, ô, ô, se segura rapá, mas não é nada não, é bossa nova com guitarra, só angústia , pega o cobertor, cobre a cabeça, enfia algodão baby perfuminho rosa bebê, azul bebê, arco-íris baby Genet, nas orelhas.
A cobrança aumenta na medida dos acúmulos de pisadas na bola, bobo de quem deu vexame, tem que comprar a revista "Você S.A." e aprender lá as manhas do atual Eclesiaste. As orelhas gatunas já se levantam se eu não consigo no hoje de sempre busão e curva, sorrir para detalhes como o desatino dos sapatos. A opção pela burrice é um perigo, meu amigo. Quando a ira volta, vem como bolha de peixe monstro, zoião alumiado, dentes de bocarra caverna de carvão empapado, esfregando tudo na cara, colocando bombas pelos lados crucificados da individualidade terrorista, deixando você num deserto árido depois que a coisa fede num impulso de grito, berro, porrada, deixando você armado bem presinho dentro da caixa torácica. Revoluçõenzinhas mela cueca. Já sem idade e sem fuça, treco para topar apoio aos estudantes da USP, saudosos de um maio de 68, numerários encadernados de quem nunca colocou os pés na França, mas possui óculos de tartaruga e explicam tudo segundo adornos adornais e walter benjamins buarques de hollanda com backinho anárquico e estúpido debaixo das árvores do campus. Campinas mesma coisa. Sim, eu-lírico está de férias. Sem idade nem fuça para desgrudar todos os duréx dos trecos que outras pessoas grudaram no salão de festas, nem mais o tédio inventa algo que me divirta, que mané festa, moi chandon ? Festinha avenida paulista ? Festinha torre do castelo ? Festinha Copacabana ? Se ainda eu encontrasse um helicóptero caridoso, bom samaritano de umas figas ao caldo para a sorte do pé de cabra, bem maior se cofre citybank que me sustente a sorte de ócio, ouro de hanna barbera my friends, that's all, bem mais isso que a perna super texana do pernalonga sacanão.
Enumero as cidades em que já pisei com alma, alegria e tudo isso. Que chances tive em Miami, em Nova York ( que maravilhosa janela do hotel chicoloso: um beco escuro de tarô inteiro adivinhatório do meu gozo: negão e negona, esfrega e chupa, meladinho globalizado da safadeza que faz valer a pena...), Buenos Aires( olá, cemitério meu), e até mesmo Poços de Caldas, com suas frutas óbvias e um lugar mal-assombrado que servia de pretexto heróico ao desvirginamento das acatadouras mocinhas poçolépidas e fogosas. Era um hotel. Sempre um hotel. Ainda fujo do buzão e abro pousada autista, deixa de onda sanitária, numa praia deserta - caiçara nos pentelhos da chatice - e monto lá uma vastidão de dois quartos. Me sentirei, faz tempo, bem esperto, sem fazer mal pra ninguém, o que tem sido o importante, sem idade, sem fuça pra outra coisa, trego de ser feliz total nem pensar, vou poder morar em cabana bacana pau e bananeira, sem pagar um tostão a diária meia entrada. Mas para isso teria que aprender algo sobre sushis e sashimis, não me dou bem com o elemento fogo, basta o meu no azar das dobras, o que me obrigaria a uma segunda-feira soberba de aplicação na vara, a de pescar já que do cofre lá dentro, não tive o viés de ganhar o peixe. E quem disse que eu vou sair dessa paradez? E ainda tem o calmante tarja judozão que me rouba os sonhos obrigatórios...
Mas que enrascada, meu chapa.
Pois é.
Passar o tempo.
Até quando?
Até amanhã, caceta.
Mas e quando chegar o amanhã do teu amanhã, vai assim dar uma morrida sem nada de muito alegre depois
dessa
idade
dessa
fuça
desse
troço de ser impertinente ?
Essa é a questão, padre. Essa é a confissão, tia Benta. Essa é a lambança do meu sexo indormente, Socráticos cobradores do buzão em bons termos, apertos de mão, combinações e claro que, revoluções mela-cuecas de satisfação dutifri.
Ah, tem sempre alguém que paga o pato: vou jogar as roupas de baixo de cima da janela do oitavo andar, dó que não dou, isso sim que é baderna, gentinha universitária, povinho ramela de comédia entorpecente no restinho do espírito que me sobra, nem vem que esmurro , ficar pelado em pleno inverno e beijar a madame Pneumonia na boca, com linguão e espelho no teto, até o pneumococo, filhinho meio down, meio emo, ficar com medo de ser contaminado por mim e não o avesso disso, dissos-eu que voam para o ar, que hão de grudar nas caras de cada cobrador do busão cósmico, gente que pisou na bola com a discrição da descrevicionice maquiavélica, retomo, "Você S.A", bem como "Arte da Guerra", e que agora só paga o shozinho de me ver - a troco de alimento semanal e visita íntima - esfregando minhas próprias bolas junto com o parmesão praquele almoção à italiana. Mama na minha, tiazona.
Pelado e fumando um cigarro, busão em chamas, ataraxia de quatro pra mim. Uma cuspida e chulapa !
- Demorô, bicho.
- Também achei, cumpadi, chama duas, chama três que tô pagando.
Agora, dona Calma, se bandeia pra lá, lava as partes e me prepara um bom quinhão de alegria e abandono de ti, não olhe para trás, orfética em mofo, que sou impuras fúrias. Quem for cabeça entende, quem não for, que entre também na festa, qualquer vinho menos aquela geléia do tal merlot riograndense do sul.
Super-peladão cruzando babejante o céu cinzento de todas as cidades, de todas as saudades não vividas.
É isso aí.
Chama mais que tô pagando pra ver quem me toma a idade, a fuça, o troço.
°

10 comentários:

Anônimo disse...

Esse é o CARAAAAAAAAAAAAAAA!
Tem a força,a raiva,o pique.
beijo em vc,pauletes.

Cris.

Natália disse...

Olá, como sempre incrível, essa é a melhor palavra para descreve-lo. Só você pra ter toda essa inspiração para escrever em um domingo frio e tedioso. Imagina se estivesse sol!!!!. Mas eu sei que sempre faz sol ai nos seus pensamentos!!!!. Continue assim, pra que mudar?. Bjo!!!!

Anônimo disse...

Ótimo!!!
Eu estava aqui visualizando a perfeita simbiose de um gozo com a viagem alucinante de um busão! São tantas curvas, uma velocidade intensa e uma pressa urgente...
Já dá um filme...rs...
Carla L.

Patricia disse...

Simplesmente DUCA!!!Não é assim q vc sempre fala?!?!

A cada texto vc se supera,me surpreende, mas confesso que esse foi delicioso d+ da conta de ler...a cada linha q eu lia queria mais...e mais!
Maravilhoso! Orgastico!

Um mar espetacular de palavras...com onda batendo em minha cara, e o mar lambendo minhas pernas, a cada frase, a cada vazamento de vapor...

bjos Poeta!
até o próximo (texto)

thais NaNaHaRa disse...

fiiii... vc naum tem idade, nem fuça e nem troço... mas eu adoro como escreve... ahIUEhoeahUIEhehihOEhhehuaiH

beijos milhares

Grazziela disse...

O seu eu-lírico não parece gostar de férias...

Andréia Muza disse...

Taí...como balançar nesse buzão de um lado pro outro e não vomitar
Gostei muito.
Bjo

Duda Bandit disse...

bacana, cara.

Anônimo disse...

Paulo você continua maluco,sinto sua falta às segundas no jornal...Márcia.

mara disse...

Ae Paulo, como sempre, mandando bem demais nas letras, cara! Parabéns mesmo.
Beijão da Sil.
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/marahmends